terça-feira

O regresso das fronteiras -por Luís Meneses Leitão -

Nota prévia: É uma reflexão que resume eficientemente o espírito de desconstrução da integração económica dos últimos 50 anos, e, com ela, o "abate a tiro" - através do proteccionismo mais atávico - daquilo que se convencionou designar por globalização - via integração económica - baseada nos grandes espaços e de que a União Europeia foi, até há pouco tempo, paradigma. Contudo, veremos se a Europa encontra nesse proteccionismo e isolacionismo norte-americanos a resposta integrada a esse desafio, ainda que as previsões, com o Brexit à cabeça, sejam pessimistas.

E Portugal, já formulou um plano B para a eventualidade de querer sair do €uro? 

- Parece fazer sentido esta preocupação. Ou o inverso, com mais e mais INTEGRAÇÃO e União Europeia. 

- Mas onde estão esses líderes, essas políticas e esses eleitorados?

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O regresso das fronteiras, jornal I

Luís Meneses Leitão

A semana que passou ficou marcada por duas importantes comunicações políticas. Logo no início da semana, a primeira-ministra britânica, Theresa May, cuja completa indefinição sobre os termos da saída do Reino Unido da União Europeia já lhe tinha garantido o epíteto de Theresa Maybe, veio afinal optar agora por um corte radical entre o Reino Unido e a União Europeia, o denominado hard Brexit. O Reino Unido abandona, assim, definitivamente o mercado único, a fim de recuperar o controlo sobre a imigração europeia e a possibilidade de impor taxas alfandegárias às importações.
Já no final da semana tivemos o discurso da tomada de posse de Donald Trump, que confirmou totalmente ao que vinha. Para ele, os EUA andam há muito tempo a proteger as fronteiras dos outros países, quando deviam era proteger as suas. No seu discurso, a palavra de ordem foi muito clara: a América primeiro, o que significa comprar americano e contratar americano. Vão existir, assim, fortes restrições à contratação de trabalhadores estrangeiros e o presidente já anunciou a imposição de pesadas taxas às empresas que coloquem as suas fábricas fora dos EUA.
É impossível não ver a mudança de paradigma que isto representa para a economia mundial. Até agora tínhamos assistido a sucessivos fenómenos de integração económica regional e até mesmo mundial, com a globalização a ditar as suas regras. Agora, duas das principais economias do mundo enveredam pelo protecionismo, dando um golpe mortal nos espaços económicos regionais de que faziam parte, a União Europeia e a NAFTA. Se tiverem sucesso, todo o processo de integração económica ficará em causa.
Na verdade, como o estado do processo de integração europeia já está a demonstrar, a integração económica só funciona em épocas de prosperidade, quando há dinheiro para distribuir. Quando a crise chega, a solidariedade acaba e os países querem é proteger os seus cidadãos. E, nesse aspeto, as fronteiras são o instrumento principal para assegurar essa proteção. As fronteiras estão de volta e agora é cada um por si. Habituem-se.
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